Cuidados necessários para uso do gesso

O gesso pélvico-podálico vai da cintura até os pés e pernas.
A Osteogênese Imperfeita (leia mais) é uma doença rara de origem genética, provocada por uma falha no colágeno (tecido formador do osso), e que acomete a cerca de 1 a cada 10.000 nascimentos. As pessoas que nascem com OI têm características físicas bastante próprias, como baixa estatura, esclerótica (o branco do olho) azulada, rosto triangular, dentes acinzentados e frágeis, podem ter problemas auditivos e a principal delas, a alta incidência de fraturas. Os ossos de uma pessoa com Osteogênese são tão frágeis que se assemelham a pequenos gravetos e são extremamente quebradiços, podendo haver fraturas com o menor choque ou até mesmo com sustos. Nestes casos, entra a necessidade do gesso para proteger o membro fraturado até que ele se consolide. Contudo, o manuseio do gesso e os cuidados com ele não são de todo conhecidos.
Um dos gessos mais difíceis de se lidar é com o pélvico-podálico, que vai da cintura até os pés ou pernas, formando uma “bermuda”. Este formado de gesso, além de ser extremamente incômodo e desagradável, exige dos pais ou responsáveis cuidados especiais de higiene, segurança e o já mencionado conforto do usuário. A primeira providência é que ele deve ser mantido seco a todo custo. Após sua colocação, é recomendável que se aguarde de 24 a 48 horas para ele secar, de preferência sob o sol. De acordo com o site oficial da ANOI (Associação Nacional de Osteogênese Imperfeita), “o aparelho gessado parece inicialmente seco, mas estará em sua forma mais resistente apenas após 48hs, não devendo ser apoiado em nenhum local duro antes de completar este tempo porque poderá ser danificado e comprimir o membro imobilizado”.
Os cuidados em não molhar o gesso surgem na hora do banho e na proteção contra a urina e as fezes. Para o primeiro caso, recomenda-se cobrir o membro engessado com um saco plástico ou toalha ou mesmo manter o gesso longe da água, evitando que ele molhe e amoleça e se torne quebradiço. Já para evitar que o xixi ou o cocô vazem, estraguem o gesso ou causem feridas, utilize duas fraldas – uma menor (com as abas cortadas) por dentro das bordas do gesso e uma maior por fora para prender tudo. A higienização da região íntima deve ser feita, sempre que necessário, usando algodão ou panos umedecidos, evitando lenços umedecidos perfumados que podem irritar a pele. “O aparelho gessado danificado pode provocar compressão e causar uma lesão na pele ou mesmo em casos mais graves uma síndroma compartimental”, segundo a ANOI. Também não é recomendável colocar objetos dentro do gesso, como canetas, lápis, régua e outros, uma estratégia muito utilizada para coçar a região engessada. Os objetos perdidos dentro do gesso provocam dores e, com o passar do tempo, podem causar feridas ou até uma úlcera.

A Imobilização em Impressão 3D é uma auternativa ao gesso tradicional, mais leve e resistentes a água.
Use esparadrapo antialérgico (micropore) nas bordas próximas à fralda ou proteja as dobras da pele com pequenos chumaços de algodão para evitar atrito e assaduras. Se você sentir odor desagradável na região, utilize um pouco de bicarbonato de sódio na região externa, mas evite produtos líquidos ou caseiros que umedeçam o gesso. Lembre-se de proteger o gesso, pois o aparelho gessado danificado pode provocar compressão e causar uma lesão na pele ou mesmo, em casos mais graves, uma síndroma compartimental. Movimentar os dedos das mãos ou dos pés e demais articulações (“juntas”), não-imobilizadas, em todas as direções, várias vezes ao dia é importante e tem duas finalidades: melhorar a circulação de retorno, evitando o edema de extremidade, e manter o tônus muscular, facilitando a reabilitação caso haja necessidade após a retirada do gesso. Procure atendimento médico urgente se o gesso estiver apertado, com inchaço e palidez nos dedos; o gesso estiver amolecido e quebradiço; se sentir dor forte e contínua, com dormência ou formigamento; ou se apresentar febre.
A utilização de gesso é extremamente incômodo, desagradável e doloroso. Em muitos casos de Osteogênese Imperfeita moderada a grave, a principal alternativa ao tratamento puramente conservador (com imobilizações externas) é o alinhamento cirúrgico com hastes intramedulares telescópicas. Essas hastes são inseridas por dentro do osso e se expandem conforme a criança cresce, funcionando como um “esqueleto interno” definitivo que protege o osso contra novas fraturas e deformidades, reduzindo drasticamente a necessidade de usar qualquer tipo de gesso externo no futuro. Para os casos de optar ou não poder fazer a cirurgia, existem alternativas ao gesso tradicional. Seguem:
Órteses Termomoldáveis (Plástico Rígido): Confeccionadas sob medida por terapeutas ocupacionais ou ortopedistas utilizando placas de plástico que amolecem na água morna e são moldadas diretamente no membro. Elas são extremamente leves, fechadas com velcro (o que permite ajustes caso haja inchaço) e podem ser removidas rapidamente para higiene ou avaliação da pele;
Imobilização em Impressão 3D: Órteses plásticas vazadas e personalizadas por softwares com base no escaneamento do membro do paciente. Elas oferecem excelente estabilização, são vazadas (reduzindo a coceira e o calor), são muito leves e totalmente resistentes à água;

O gesso sintético flexível é feito de fibra de vidro ou poliéster ajuda a diminuir a perda de massa óssea.
Talas Gessadas ou de Fibra de Vidro (Imobilização Parcial): Em vez de envolver todo o membro com um gesso circular rígido, utiliza-se a calha ou tala (apenas em uma das faces do membro) presa por faixas ou ataduras elásticas. Isso confere a estabilidade necessária sem o peso excessivo e facilita a remoção rápida se houver suspeita de nova lesão;
Gesso Sintético Flexível: Feito de fibra de vidro ou poliéster, mas aplicado com uma técnica que mantém uma leve resiliência (gesso “soft”). Ele protege o osso contra desvios violentos, mas não elimina totalmente o estímulo mecânico sobre o osso, ajudando a diminuir a perda de massa óssea durante o uso; e
Dispositivos Estofados e Botas Imobilizadoras: Para os membros inferiores, o uso de botas ortopédicas articuladas ou com regulagem de velcro substitui com segurança o gesso, facilitando que o paciente apoie o peso ou mantenha o posicionamento adequado sem sobrecarregar as articulações.


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